domingo, 11 de abril de 2010

eu sou cheio de vazios

sábado, 10 de abril de 2010

dentro de mim, o belo está

E se alguém me perguntar
De que é que vivo - se é que vivo

Lhe responderei, sem titubear,
que vivo sou e que vivo de pensar
[e sou ainda mais vivo no meu pensar];
que apesar de não saber, de não poder contar
sei que estão lá, como ovelhas ao relento
as ideias no meu pensamento
- e como seu pastor,
as zelo com amor.

imaginação é o poder de desenhar
com cores e tintas que se cria
a imagem de um luar
embora ainda raie o dia

e embora ainda raie o dia
a noite há de chegar
e por saber que ela viria
imaginei saber raciocinar

[
penso dever pedir perdão
se te soam minhas descobertas
com certo ar de pretensão
é que me fazem tal sentido, me dão tal compreensão
que só podem estar certas.
]

agora voltando ao devaneio,
admita ser difícil conceber
um cérebro demasiado cheio,
recheado de saber,
entupido de lembranças.
isso porque a mente
de aprender não se cansa;
maravilha incoerente!

ideias são pedaços de verdade
mesmo que verdade parcial
verdade de apenas uma metade
mas uma verdade, afinal!

e se as ideias não dão certeza
se não falam uma só linguagem
e se ainda somem feito miragem...
- é aí que mora a sua beleza

pois fáceis por fáceis
já me bastam as palavras - incompletas, vazias, cegas-mudas cúbicas;
quanto às ideias
eu as quero tão difíceis quanto únicas

todavia, no entanto. não obstante. entretanto

Embora eu saiba que nada vá ser perfeito; embora eu saiba que a paixão vá acabar, que a luz vá diminuir, o calor vá esfriar. A desconfiança chegará, as palavras não dirão o que eu espero delas. Os olhares não se cruzarão com tanta frequência, e nem com tanto desejo. Embora eu saiba que tudo vá mudar, e não só a lua, a maré e o meu humor; embora eu conheça e reconheça todas as possibilidades de tudo que pode dar errado (e provavelmente dará),
eu ainda assim quero tentar.
Vamos?

terça-feira, 6 de abril de 2010

pronto! II e derradeiro

Eu quero é ser igual a mim. Copiar a minha originalidade.

Meus trejeitos são perfeitos. Dizem o sujeito de que sou feito e de que jeito.
Minha língua é afiada, envenenada, e só fala de mal e bem. Para falar de coisas à toa, falar dele ou dela, procure a de outrem.
Meu corpo é uma extensão, é um empréstimo, uma alegoria ao que deveria estar escrito na frente do que quer que eu fosse.
Meus olhos nunca fintam o nada - podem fintar o infinito, mas nunca o nada. Meus olhos não fecham, meus olhos não piscam. Não são faróis ou janelas, são declarações das mais singelas.
Minha mente é compulsiva; ela corre, para e volta, dá a volta e vai de novo. Pensar demais, se fosse um defeito, eu o teria.

O ar que eu respiro me basta, se ao lado meu tu respiras.

Eu, seja lá o que for, eu sou feito para ti. Para estar junto de ti. E não me bastam palavras, não me bastam canções, ritmos, rimas ou ações, pra dizer o quanto eu te amo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

/|\

Amor sem respeito não é amor.
Amor sem paixão não é amor.
Amor sem admiração não é amor.


Amor sem respeito é relação de humilhação, subordinação. É uma relação desigual, vertical, em que um monta nas costas do outro e o domina. O respeito é o contrato que impede a traição, a mentira e todo tipo de artimanha e enganação.
Amor sem respeito não é amor. É um de pé e outro de joelhos. Como foi da terceira vez...

Amor sem paixão é uma amizade retumbante. É amor de irmão, de colega; amor solidário, que dá a mão mas não os lábios. Amor sem paixão é morno, requentado e sem sal. Como foi da segunda vez...

Amor sem admiração é uma disputa. Um ocupa o espaço do outro, e ambos se degladeiam sem objetivo algum, buscando expandir suas fronteiras de influência. E, no amor de verdade, essas fronteiras são invisíveis, mas existem - e são cumpridas. Aqui, os amantes sobem um nas costas do outro, mais para empurrá-lo para baixo que propriamente para subir mais alto. Amor sem admiração é uma queda de braço. Como foi da primeira vez...


O amor só é pleno e sustentável se possui o tripé bem equilibrado e com boa manutenção. Não adianta tentar compensar a falta de admiração com o excesso de paixão - o tempo há de cobrar o seu preço.

Por isso, escolha bem, de olhos abertos, para não ter que escolher de novo, e de novo, e de novo...

domingo, 4 de abril de 2010

nada banal


eu acordei sentindo muito.
eu sinto mais que muito.
eu não quero viver no arrependimento, eu não quero viver no vácuo do que poderia-ter-sido-mas-não-foi
eu não quero viver de lembranças, desesperanças e fotos rasgadas.
- mas eu respeito o que um dia foi a coisa certa a se fazer.

guinada

I'll probably make you cry
just for the hell of it

e eu nem vou precisar mentir, eu vou ser sincero. isso é o mais estranho. é inexplicável o saber de todos os atalhos. como uma flecha fulminante assassina eu sigo uma trilha predeterminada, já aberta por outro desbravador qualquer, mal-esquecida por quem quer que tenha sofrido...




e eu já nem sei do que queria falar, porque só sei pensar é nela.