quarta-feira, 17 de março de 2010

provável plágio

Uma porta se fecha. Outra se abre.

Destinos, futuros, etc. são feitos de escolhas e de circunstâncias. Uma ótima metáfora é imaginar uma estrada:
siga pela estrada, confiante. Acelere até seus limites. Sinta-se à vontade para testar sua velocidade nas curvas, aclives, declives, sinuosidades...
É lógico que, eventualmente, o caminho à frente se fechará subitamente. O desespero o afogará momentaneamente. Surgirão dúvidas, contestações. Você pensará nos porquês de a estrada ter-se fechado, logo agora que você acelerava tão convicta e ousadamente! No momento em que você mais precisava daquele chão, ele o terá enganado, o terá traído! Você não confiará jamais em estrada alguma...

Eis que surgirá (fato óbvio e cristalino), timidamente, em um dos lados, um novo trecho de estrada. Um caminho roto, empoeirado, arriscado - mas um caminho novo.

A dúvida (ou melhor seria, a não-dúvida) se relaciona a seguir na insistência do sentimento de injustiça, ou na tomada de uma nova atitude, uma nova direção, mesmo que levando a um lugar inóspito, perigoso, desconhecido.
Eu vou sempre tomar os desvios.

segunda-feira, 15 de março de 2010

virado

É o fim. Pé no chão.
Acabou meu suplício.
Hei de ser sempre eu, sempre tão
Diverso do início.

Pelo sim, digo não,
Não trabalho com isso;

Com um sim, ou um não
Caio no mesmo abismo,
De uma rima que não rima,
Uma pedra lascada,
Que de tão torta e de tão má me corta os pulsos, as veias, e logo o coração.

Não me diga nunca "não",
nunca "não haverá razão
para eu mentir
que eu gosto de ti,
se gosto é de sofrer
na mão de quem me joga pra cima"
feito boneca de pano, que de bela se guarda, mas que de usada não se ama - como se fosse mais nova.

Rima torta, essa rima não rima
Vou pé, de joelhos,
Vou pagar a promessa;
O que pedi, lá no alto do morro, foi que me amasse e me fizesse feliz para sempre;
de todos os jeitos e a todo momento,
ou que me deixasse de vez.
(e eu te deixei, foi de vez)

A minha rima não rima, o meu carro não pega, a minha mãe que não chega, e o feijão só aumenta. a comida tá pronta, então cadê minha rima...?

essa carta era pra ser tão curtinha, tão singela; era minha e era bela, mas no fim o que eu tinha era dela, e agora só me resta, só me resta, só me resta, dessa vez, te chamar de rainha... e te chamar de cadela.

e esse fim que não chega? mas um final eu deslumbro! uma moral, ali escrita no muro; de batom, de marrom; pra geração que vier... comer o amor de colher.

moderno é amar. de novo. e de novo. e daí é que acaba. e recomeça.
de rima tão torta e aguda, eu sou sempre diferente. o dia troca, a gente muda.

domingo, 14 de março de 2010

mude(i)

Tu tens um certo talento. Fazes com que me sinta o pior de todos. Dissimulado, sujo, cruel, enganador.
Ela tem um certo talento. Faz com que me sinta voando alto, como uma nuvem. Diferente, único, especial, digno de uma conversa a mais.

Tu tens um olhar de reprovação a cada ato meu. Sinto-me uma criança sendo educada.
Ela tem um olhar suave, leve, mas cheio de significado. É difícil não se sentir amado.

Tu reprovas minhas escolhas, sem nem pensar nos meus porquês, na minha mente, no meu ver.
Ela não me julga. Permite-me ver tudo como vejo - e tenta ver do mesmo jeito.

Tu me falas das coisas que faço errado; de quanto discordas do meu jeito de ver a vida.
Ela me fala da beleza e da complexidade de cada momento e de cada atitude.

Tu não és nada mais que o passado - uma lembrança escura e pesada.
Ela é um futuro iluminado; um pássaro que plana despretensiosamente sobre as páginas que 'inda hei de escrever...

quinta-feira, 11 de março de 2010

olhando pra dentro

Eu ando sem jeito pra falar; pra planejar, pra fazer e pra fingir que fiz sem querer.
Eu ando sincero demais, direto demais, imprevisível demais. Ando impossível, ando insuportável; ando melancólico, alegre - saudável e doente. Ando deveras dicotômico, paradoxal e incompreensível. Ando difícil demais.

Eu ando eu demais.

a lei além

Eu resolvi me libertar. Ser eu mesmo.
Não vou mais chorar a tua ausência, se não desejas a minha plenitude ao teu redor. Fica com quem mereces, se não fores boa o bastante para merecer ficar sozinha.
Dias, meses e anos - todos recheados de horas e minutos infindáveis - pensando em ti. Pensando em todas as possibilidades, todos os diálogos, todos os sinais. E tudo em vão. Tu não me queres. E eu tenho que viver com isso.
Irrecorrivelmente, tenho que querer outra pessoa. Tenho que buscar o teu olhar em outros olhos. Buscar o teu sorriso em outros lábios. O teu beijo que nunca veio...

Obviamente, nunca serei tão feliz quanto seria contigo. Nunca serei tão apaixonado quanto sou por ti. Nunca acreditarei tanto no futuro se não for contigo. Isso, no entanto, não me impede de viver todo pedaço, toda fração, todo pixel da minha vida como uma imagem complexa, completa e colorida: uma foto de um momento pleno e sincero.

É o que eu quero. É o que eu dito. Sinceridade e plenitude, caminhem juntas na minha vida. Ideias em que acredito, crenças, ideais... Levem-me aonde for, mas me tirem daqui - me tirem de perto dela.

sexta-feira, 5 de março de 2010

análise das entranhas

O segredo é deixar acontecer como se fosse natural, sendo que tudo foi milimetricamente calculado e planejado. Cada palavra tem um porquê. Cada gesto exprime uma intenção. E elas são as piores possíveis, de ambos os lados.

Depois, repetir até a quase-exaustão. Então, servir-se de orgulho e alegria por tudo de bom que fazem juntos - e com tamanho desprendimento! Quem diria que dali poderia brotar uma relação perfeita, em que os dois se fazem companhia quando é do interesse de ambos, mas em que não há cobrança nem mau-humor? É brilhante!

Eis que surge a primeira faísca de ciúme, de compromisso, de prisão e de limitação. E, junto com ela, surge um consentimento consciente, motivado pelo gostar. Daí para frente, o resto é uma bola de neve que tende a estourar na primeira árvore que encontrar.

Seja sincero. Ame profundamente. Adore. Goste. Seja indiferente. Mas seja sincero.

quinta-feira, 4 de março de 2010

não entenda

Não importa o que eu faça, eu caio sempre na mesma rede. É completamente inútil atribuir ao destino, ao acaso, a Deus ou à sorte: é sempre tu que me mostras a hora de mudar. E eu quero mudar, eu quero ser diferente, ser novo, belo e radiante - contigo. Quero amar estupidamente; sofrer por amor, chorar de amor, tudo aquilo cujo gosto se perdeu na imensidão de tentativas de recuperar o que eu nem tive...

Eu te quero mais que nunca. E, mais que nunca, estou disposto a te conquistar. Com estratégias quase militares, eu vou cercar os teus caminhos, aprender a ser quem tu gostas, e te mostrar que é de mim que tu precisas.
Que me custe os olhos, a mente, a sanidade ou os pequenos e esparsos raios de lucidez que a mim cabem. Eu vou viver de amor. Morrer de amor. Amar do jeito que necessário for, no momento que for possível...

Não ligo se jamais puder escrever outra palavra - eu quero mesmo é desaprender a falar de tristeza.